"Pensar que o homem nasceu sem uma história dentro de si próprio é uma doença. É absolutamente anormal, porque o homem não nasceu da noite para o dia.Nasceu num contexto histórico específico, com qualidades históricas específicas e, portanto, só é completo quando tem relações com essas coisas.Se um indivíduo cresce sem ligação com o passado, é como se tivesse nascido sem olhos nem ouvidos e tentasse perceber o mundo exterior com exatidão. É o mesmo
que mutilá-lo."Carl Jung

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

O descobrimento do Brasil foi um acidente de percurso?

No dia 8 de março uma frota composta por 10 naus e três caravelas partiu de Portugal rumo à Índia, onde os portugueses deveriam efetuar transações comerciais – compra, venda e troca de especiarias. No dia 22 de abril, porém, um "acidente de percurso" fez com que a frota desembarcasse no Brasil. Terra à vista? Ou será ilha à vista? Enfim, o que os portugueses avistaram mesmo ao chegar perto do Brasil foi um grande monte, que mais tarde passou a ser chamado de Monte Pascoal. Assim que desembarcaram no Brasil, onde hoje situa-se Porto Seguro, na Bahia, os portugueses foram “recepcionados” pelos índios que rapidamente encantaram-se com os seus metais preciosos. Sem “saber” o que eram realmente aquelas terras, Cabral batizou-as de Ilha de Vera Cruz, e depois que entendeu que se tratava de um continente, chamou-a de Terra de Santa Cruz. No dia 26 de abril, Frei Henrique de Coimbra celebrou a primeira missa em solo brasileiro. Em seguida a frota de Cabral rumou para a Índia, afinal, era para lá que eles deveriam ter ido. Ou será que não? Duas naus, porém, voltaram para Portugal levando a famosa carta de Pero Vaz de Caminha, na qual ele narra detalhadamente como aconteceu o descobrimento, além de outras características da nova terra. E depois, bom, depois os portugueses voltaram e encontraram o glorioso pau-brasil, do qual passaram a extrair uma valiosa tinta vermelha que futuramente passou a ser comercializada em toda a Europa. E, em homenagem, a terra passou a chamar-se – Brasil. Isso é o que você aprendeu nas aulas de história. Mas será que a história do Brasil é só isso? Será que não existiam outros habitantes nessas terras, nativos ou não? E será que os portugueses foram levados pelas “correntezas” e caíram justamente em frente ao nosso maravilhoso litoral, ou será que de “portugueses” eles não tinham nada e apenas vieram tomar posse oficialmente de algumas terras? Não existem documentos oficiais, mas diversas teorias rondam o descobrimento do Brasil. Leia agora alguns fatos “interessantes” sobre o descobrimento do Brasil...e tire as suas próprias conclusões. Outras teorias sobre o descobrimento do Brasil Tudo indica que os portugueses já sabiam da existência de nossas terras, antes de Cabral passar por aqui. Muito provavelmente, o Brasil não foi descoberto em 22 de abril de 1500, e sim, tomado posse. Eis alguns indícios: - Vasco da Gama, após a sua gloriosa ida às Índias, voltou para Portugal em julho de 1499. Melhor do que as especiarias que ele trouxe na mala foi o fato de que ficou comprovado na prática que, assim como na Índia, novas terras poderiam ser alcançadas pelo mar. Ou seja, o planeta terra poderia transformar-se em um imenso comércio (será que já havia indícios de globalização nesta época!?). E Portugal era um dos poucos países europeus com saída para o Atlântico. Antes mesmo de seu retorno, diz a história que Vasco da Gama já havia registrado em seu diário de bordo, algo em torno de 1497, que existiam terras americanas, comunicando o rei de Portugal, D. Manuel, assim que retornou à Portugal. - Cristóvão Colombo, ao descobrir a América em 1492, sugeriu em seus manuscritos, a existência de outras terras ao sul da República Dominicana. - Alguns anos antes de Cabral aportar por aqui, mais precisamente em 1494, Portugal e Espanha assinaram o Tratado de Tordesilhas. Naquela época os navegadores espanhóis e portugueses eram considerados os melhores do mundo e a briga entre eles pela posse das novas terras estava se acirrando. Através do Tratado foi traçada uma linha imaginária que passava a 370 léguas a oeste das ilhas de Cabo Verde (colônia de Portugal), dividindo o mundo em duas partes iguais. As terras descobertas do lado esquerdo (oeste) seriam da Espanha, enquanto que as terras descobertas do lado direito (leste) seriam de Portugal. E o Brasil, bem o Brasil (e o seu imenso litoral) ficava coincidentemente no lado dos portugueses. Sendo assim, as terras já estavam no mapa e pertenciam à Portugal. Bastava então estudar as correntezas, as rotas e as condições climáticas, para que fosse possível encontrar as tais terras e ... tomar posse, garantindo o domínio de Portugal. - Tudo indica que o primeiro português a pisar em solo brasileiro, não foi Cabral, e sim Duarte Coelho, pessoa de extrema confiança do rei D. Manuel e considerado um gênio em navegação e astronomia, naquela época. Coelho descobriu o Brasil no final de 1498, a mando do rei. O grande problema foi que Duarte Coelho acabou desembarcando entre o Maranhão e o Pará, em terras pertencentes à Espanha, de acordo com o Tratado de Tordesilhas firmado em 1494. Dessa maneira, quando retornou à Portugal, o rei pediu que a missão ficasse em sigilo e que, enquanto isso, fosse preparada uma nova missão que deveria alcançar o Brasil em outro ponto, em terra pertencente à Portugal. Naquela época havia uma cláusula no Tratado de Tordesilhas que obrigava Portugal e Espanha a comunicarem ao outro a descoberta de terras alheias. D. Manuel preferiu ficar quieto e não dar munição ao seu concorrente. - A carta escrita por Pero Vaz de Caminha é uma verdadeira certidão de nascimento do Brasil. Nenhum outro país foi descrito com tantos detalhes no momento de seu descobrimento. Mas, não se divulga o porquê, Caminha escreveu sobre cada detalhe do Brasil, muito provavelmente para dizer “sim, nós estivemos aqui e o Brasil é nosso”. - Outro mistério ronda essa mesma carta. Caminha descreve a vista do Monte Pascoal, como sendo um monte com “serras mais baixas ao sul”. Essa visão só seria possível se os portugueses estivessem navegando do Sul para o Oeste, como se estivessem subindo o litoral brasileiro. Ao contrário, se eles tivessem realmente descoberto o Brasil por acaso, a visão do Pascoal seria completamente diferente, já que eles estariam navegando em direção Norte – Oeste. - Não é possível comprovar, porém relatos de historiadores narram a existência de “pirataria” em solo brasileiro antes mesmo da chegada dos portugueses. De acordo com os relatos, alguns deles publicados no livro, Náufragos, Traficantes e Degredados, de Eduardo Bueno, os espanhóis, franceses e ingleses já haviam estado por aqui e a pirataria era uma prática bastante comum entre eles. - E, bem, se não bastasse tudo isso, vale lembrar que já tinha gente por aqui, antes mesmo de portugueses, espanhóis, franceses ou ainda ingleses. E além de gente, essa terra também já tinha um nome: Pindorama. Os índios, quase 2 milhões apenas no Brasil naquela época (de acordo com estudos realizados pelo antropólogo Darcy Ribeiro), pertenciam às tribos tupi-guarani (Litoral ), macro-jê ou tapuia (Planalto Central ), aruaque e caraíba ( Amazônia ) e gentilmente chamaram as terras brasileiras de Pindorama, em referência às palmeiras existentes por aqui. Quem foi Pedro Álvares Cabral? Apesar de seu porte físico invejável (Cabral tinha cerca de 1,90 m de altura enquanto que a maioria dos portugueses não passava de 1,65 m), Pedro Álvares Cabral não entendia muito bem de navegação. Apesar de não ter vindo de origem muito nobre, Cabral casou com uma das herdeiras de uma família bastante rica de Portugal, Isabel de Castro. Mesmo não entendendo muito de navegação, Cabral era um chefe militar e o rei achou “prudente” escalá-lo para comandar a expedição que teria como missão “oficial” estabelecer uma feitoria comercial na cidade de Calecut, na Índia. Naquela época Cabral tinha 33 anos de idade. Em sua viagem Cabral fez história – “descobriu” o Brasil e estabeleceu a tal feitoria que, mais tarde, foi atacada por muçulmanos que acabaram matando muitos portugueses, entre eles, Pero Vaz de Caminha. Cabral retornou à Lisboa em 31 de julho de 1501 e, em virtude de um desentendimento entre ele e o rei, nunca mais foi enviado para missão alguma. Bibliografia BITTENCOURT, Circe. Dicionário de Datas do Brasil. 1. ed. São Paulo, Contexto 2007. BUENO, Eduardo. A Viagem do Descobrimento, 1. v. Rio de Janeiro, Objetiva, 1998. Coleção Terra Brasilis. ______. Náufragos, Traficantes e Degredados, 2. v. Rio de Janeiro, Objetiva 2006, Coleção Terra Brasilis. VENÂNCIO, Adriana et alli. História e Geografia do Brasil. 1. ed. São Paulo, Editora Escala Educacional, 2004, Coleção Conhecer e Saber

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Você realmente sabe o que é roubo?

Imagine que você está em sua casa, sentado no seu sofá, assistindo à sua televisão. De repente, uma quadrilha de ladrões invade sua casa e rouba esse seu aparelho. O que você faz? Dado que a função do governo é proteger os direitos de propriedade, você provavelmente chamará a polícia. Se tiver muita sorte, você recupera sua televisão, os larápios vão para a cadeia e sua vida voltaria para o normal, na medida do possível. Até que... Três meses depois, os ladrões fogem da cadeia e, como esperado, roubam sua televisão novamente. Só que desta vez eles agem de maneira mais perspicaz: eles contratam a máfia para fazer isso. Você diria que há alguma diferença entre esses dois arranjos? Dificilmente. Afinal, você ficou sem sua televisão e os ladrões continuam sendo os responsáveis pelo roubo — ainda que não tenha sido eles quem fisicamente roubou sua televisão. Com muita sorte, você recuperaria novamente sua televisão, os larápios e a máfia iriam para a cadeia, e sua vida voltaria ao normal... Mas provavelmente nunca mais haveria um 'normal' após isso. Mas o que aconteceria caso a máfia, impune, resolvesse doar sua televisão para uma família menos "financeiramente favorecida"? Será que esse ato de "caridade" faz com que o roubo de sua propriedade pessoal passe a ser considerado algo aceitável? Definitivamente não. Sempre que alguém rouba sua propriedade, por qualquer motivo, com ou sem a ajuda da máfia, trata-se de um ato criminoso de agressão. Pergunta: o que uma quadrilha de ladrões e a máfia têm em comum com Frédéric Bastiat? Nada. Porém, foi Bastiat quem certa vez disse: "O governo é a grande ficção por meio da qual todos querem viver à custa de todo o resto". Bastiat observou que, ao invés de contratar a máfia, os larápios modernos — de todos os tipos e classes — simplesmente recorrem ao governo para conseguir o que querem. Atos de agressão que são considerados criminosos quando cometidos por mim ou por você, repentinamente se tornam legítimos quando cometidos pelo governo — transmutação essa que é conhecida como a 'mágica da legislação'. Essa mágica permite que indivíduos ou grupos de indivíduos estejam legitimamente autorizados a roubar a vida, a liberdade e a propriedade de outros — e tudo com a sanção, a proteção e a assistência do governo. Bastiat rotulou esse fenômeno de "espoliação legitimada". Como reconhecer uma espoliação legitimada? Algumas vezes, tais espoliações são explícitas e fáceis de ser reconhecidas. Quando bancos ou grandes empresas recebem ajuda financeira direta do governo, para sair de alguma dificuldade, isso é espoliação legitimada. Quando uma legislação obriga você a sustentar autarquias, ministérios e empresas estatais, ou até mesmo a adquirir compulsoriamente bens ou serviços — como seguros obrigatórios para você ou para terceiros —, isso é espoliação legitimada. Em outros casos, a espoliação legitimada é mais difícil de ser reconhecida, e pode até mesmo ser vista como algo benéfico para a sociedade. Por exemplo, subsídios agrícolas ou previdência social. Entretanto, a realidade é uma só: sempre que riqueza é forçosamente transferida de uma pessoa para outra, isso não é caridade. Trata-se apenas de mais uma forma de espoliação legitimada. Espoliação legitimada não se limita apenas a assuntos que envolvam dinheiro. Uma coerção governamental que roube a vida ou a liberdade de alguém é apenas mais uma forma de espoliação — por exemplo, quando seus filhos são obrigados por lei a frequentar escolas públicas ou privadas, ou são recrutados compulsoriamente para o exército. Bastiat concluiu que quando a espoliação se torna um meio de vida para um grupo de pessoas, elas criam para si próprias, ao longo do tempo, um sistema legal que autoriza este ato, e um código moral que o glorifica. Em outras palavras, a espoliação legitimada transforma os cidadãos em quadrilhas concorrentes de ladrões, ao mesmo tempo em que transforma o governo em uma máfia extremamente poderosa e com autonomia para praticar atos típicos de crime organizado contra os mesmos direitos naturais que ele supostamente deveria proteger. Nesse ciclo vicioso, é apenas uma questão de tempo para que um vizinho espoliador utilize o governo para espoliar o vizinho honesto. Portanto, da próxima vez em que você vir um ato generoso do governo, faça a seguinte pergunta a si próprio: quem está sendo espoliado para que isso seja possível? Não se surpreenda ao descobrir que a resposta é 'você'.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

SER PAI

De todas as minhas modestas dimensões humanas, a que mais me realiza é a de ser pai. Ser pai é, acima de tudo, não esperar recompensas. Mas ficar feliz caso e quando cheguem. É saber fazer o necessário por cima e por dentro da incompreensão. É aprender a tolerância com os demais e exercitar a dura intolerância (mas compreensão) com os próprios erros. Ser pai é aprender, errando, a hora de falar e de calar. É contentar-se em ser reserva, coadjuvante, deixado para depois. Mas jamais calar no momento preciso. É ter a coragem de ir adiante, tanto para a vida quanto para a morte. É viver as fraquezas que depois corrigirá no filho, fazendo-se forte em nome dele e de tudo o que terá de viver para compreender e enfrentar. Ser pai é aprender a ser contestado mesmo quando no auge da lucidez. É esperar. É saber que experiência só adianta para quem a tem, e só se tem vivendo. Portanto, é agüentar a dor de ver os filhos passarem pelos sofrimentos necessários, buscando protegê-los sem que percebam, para que consigam descobrir os próprios caminhos. Ser pai é: saber e calar. Fazer e guardar. Dizer e não insistir. Falar e dizer. Dosar e controlar-se. Dirigir sem demonstrar. É ver dor, sofrimento, vício, queda e tocaia, jamais transferindo aos filhos o que lhe corrói a alma. Ser pai é ser bom sem ser fraco. É jamais transferir aos filhos a quota de sua imperfeição, o seu lado fraco, desvalido e órfão. Ser pai é aprender a ser ultrapassado, mesmo lutando para se renovar. É compreender sem demonstrar, e esperar o tempo de colher, ainda que não seja em vida. Ser pai é aprender a sufocar a necessidade de afago e compreensão. Mas ir às lágrimas quando chegam. Ser pai é saber ir-se apagando à medida em que mais nítido se faz na personalidade do filho, sempre como influência, jamais como imposição. É saber ser herói na infância, exemplo na juventude e amizade na idade adulta do filho. É saber brincar e zangar-se. É formar sem modelar, ajudar sem cobrar, ensinar sem o demonstrar, sofrer sem contagiar, amar sem receber. Ser pai é saber receber raiva, incompreensão, antagonismo, atraso mental, inveja, projeção de sentimentos negativos, ódios passageiros, revolta, desilusão e a tudo responder com capacidade de prosseguir sem ofender; de insistir sem mediação, certeza, porto, balanço, arrimo, ponte, mão que abre a gaiola, amor que não prende, fundamento, enigma, pacificação. Ser pai é atingir o máximo de angústia no máximo de silêncio. O máximo de convivência no máximo de solidão. É, enfim, colher a vitória exatamente quando percebe que o filho a quem ajudou a crescer já, dele, não necessita para viver. É quem se anula na obra que realizou e sorri, sereno, por tudo haver feito para deixar de ser importante.

domingo, 7 de agosto de 2011

A cultura de submissão e o massacre na Noruega

A primeira morte no massacre da Noruega foi causada pelo maluco assassino. Todas as demais foram causadas pela estupidez dos desarmamentistas, pela famigerada cultura de submissão e covardia propagada por covardes pacifistas com seus ideais "politicamente corretos". Recapitulando: depois do ataque a bomba contra o escritório do primeiro-ministro, o psicopata atacou a tiros o acampamento de jovens do Partido Trabalhista, na Ilha de Utoya, a 40 km de Oslo, deixando mais de oitenta e cinco mortos. Horrível, monstruoso? Sim. Inevitável? Não. É o resultado da submissão e covardia, que transforma o cidadão num debilóide, incapaz, e sempre dependente das instituições do Estado. Essa ideologia de renúncia ao direito e à capacidade de defender sua família, sua propriedade e sua própria vida, torna o indivíduo fraco, submisso e covarde, entregando toda a responsabilidade ao governo, à polícia e ao judiciário, abrindo mão de seus meios de defesa - especialmente as armas. Limita-se a gritar debilmente: "Sou da paz!" e pensa que cumpriu o seu dever, livrando-se do brio e da coragem. "Não reaja!", dizem os maus políticos, a grande mídia e as ONGs pra lá de suspeitas. "Nem olhe para o bandido, para que ele não tema que você o reconheça". "Nunca ande completamente sem dinheiro, mas sempre leve algum para que o ladrão não fique irritado". Discurso bonitinho, mas prejudicial. Na prática torna você uma vítima indefesa, dependendo da misericórdia de pessoas de má índole. O resultado é, cada vez mais freqüentemente , ser morta a vítima indefesa, mesmo sem reagir. O que aconteceu na Noruega? Havia 560 pessoas na ilha e apenas um atirador. Ninguém reagiu. Seriam 560 contra um. Mesmo assim o maluco solitário matou 85 pessoas e saiu ileso e sorridente. O agressor agiu livremente por uma hora e meia sem que ninguém lhe oferecesse qualquer resistência. Todos ficaram aguardando a chegada de um salvador. Para pelo menos 85 deles o salvador nunca chegou (havia um policial dando a segurança e, alegrem-se os pacifistas das ONG, totalmente desarmado). Foi o primeiro a ser abatido. Quinhentas e sessenta pessoas entraram em pânico e tentaram fugir sem sequer pensar em reagir, alguns se escondendo atrás de pedras, outros se jogando ao mar, outros se escondendo no banheiro. Outros, paralisados de medo, só não foram abatidos por sorte, enquanto o agressor gritava que ia matar todo mundo, passeando entre corpos de vítimas já abatidas. Alguns se fingiram de mortos. Houve até quem usasse outras pessoas como escudos humanos, tremendo de medo, enquanto seus amigos eram alvejados e seus corpos caíam sobre ele. Como é possível que o assassino tenha permanecido uma hora e meia atirando sem que ninguém, entre cerca de 560 pessoas, tenha gritado "PRA CIMA DELE, TODO MUNDO!"??? Resposta: porque, mais do que no Brasil, na Noruega a população é doutrinada segundo a cultura de submissão e covardia, o que os torna incapazes de lutar até mesmo por suas vidas. Deixam-se matar sem combater, como cordeiros, e o lobo nem se importa com o número dos cordeiros. Entretanto, mesmo alguns animais são capazes de atitudes muito mais dignas, solidárias e coordenadas. Enquanto cordeiros e veados procuram apenas fugir, os búfalos, os porcos do mato, e, mesmo os pequenos macacos-prego, por vezes atacam em grupo, furiosamente, o agressor de um deles. Não se deixam abater pelo medo. Sua dignidade e sua coragem superam o temor. Naturalmente não estão dispostos a abrir mão de usar suas armas, mesmo que sejam os pequenos dentes do macaco-prego. Agora, se você entra num galinheiro para pegar uma galinha, nenhuma outra o enfrentará. Procurarão apenas salvar a pele. "Cococó, cocorocó, ufa! Não fui eu". O que aconteceu no massacre na escola em Realengo: Aqui, em nosso País, o massacre de Realengo só foi interrompido pela arma de um sargento da PM. Não fosse esse policial, que entrou pelos corredores onde só se ouviam disparos, choros e gritos - o número de vítimas seria incalculável, pois ainda havia muitas crianças para serem mortas e munição não faltava ao psicopata. Mas tinha um homem que chegou e encerrou a tragédia porque portava uma arma. Era um policial, mas poderia ser um professor, ou qualquer cidadão honesto que portasse uma arma. Ninguém pode esperar que se coloque um policial em cada sala de aula. Foi sorte aquele policial ter sido encontrado por uma criança a três quadras dali. Mesmo assim chegou tarde para doze crianças. Houvesse um policial na escola, certamente o psicopata o teria morto à traição antes do massacre. Apenas uma cultura de reação e pessoas armadas poderiam tê-lo evitado. Ainda em nosso País, há algum tempo atrás, um maluco, estudante de medicina, sob efeito de remédios, iniciou um massacre em um cinema. Não me lembro quantos matou, mas várias pessoas, ignorando o medo, pularam em cima dele e o dominaram. É assim que se faz. Melhor teria sido se algumas dessas pessoas honradas estivessem armadas. Naturalmente a mídia desestimula: "É perigoso reagir". Mais perigoso é se deixar matar. A Noruega, país de população ambientalista, parece ter perdido a referência da realidade na tentativa pacifista de "interagir" com criminosos e animais selvagens - todo mundo é da "paz". Na Suíça isso teria sido diferente; o psicopata cairia rapidinho, morto no chão. A Suíça é um pais pacífico, é, mas o mais armado a nível de cidadania civil. Pacífico, não pacifista. Tranqüilo, não covarde. Se, na Noruega, um cidadão estivesse armado no meio da confusão, a tragédia teria sido menor. Mas lá o cidadão não pode ter armas. Nem a polícia. A Noruega é uma das patrocinadoras das ONG's Viva Rio e Sou da Paz que atuam no nosso Brasil. Emblemático, não acham? Se o desarmamento e o incentivo à "não reação" incentivam o banditismo, complicando a segurança pública, pior ainda é quando se trata da segurança nacional. Aí então é que atrai todas as desgraças. A Noruega , com seu pacifismo e sua debilidade militar, atraiu simultaneamente a invasão britânica e a alemã na II Guerra e sua capital foi tomada por uma banda de música, enquanto a Suíça ficou sem ser invadida nas duas grandes guerras. Por que será? É porque a Suíça reage e sua população é armada. A Noruega, desarmada e pacifista, ou seja, acovardada, é invadida e ocupada. A Suíça, corajosa e bem armada, conquista o direito de viver em paz. Está na hora de pensar que tipo de nação queremos ser. Se queremos ser um grupo de pessoas vestidas de branco, choramingando para conscientizar os malfeitores, se queremos nossos filhos amedrontados, encerrados em casa, ou se os queremos pisando firme, cantando alto e sorrindo livres.

A (DES)ARRUMADORA

É admirável Dilma ter obrigado as autoridades acusadas de malfeitos a comparecer ao Congresso Nacional para prestar contas. Merece aplausos. Mas é também evidente que ela vai surfando nas ondas -as importantes e as desimportantes- com o objetivo de livrar-se do pedaço, ou dos pedaços, que a incomodam na herança Algo parece bastante desarrumado na condução política do governo Dilma Rousseff. E aqui não vai qualquer observação sobre ministros, ou ministras, porque conduzir politicamente o governo é tarefa indelegável do presidente da República. Ou da. Consta que o futuro ex-ministro da Defesa andou falando mal da colega da articulação política, desdenhou da capacidade de ela cumprir a tarefa. Desmentir é de praxe, mas na política a verdade e a verossimilhança dançam de rosto colado. Na glória e na desgraça. Ministros falarem mal uns dos outros para jornalistas (com o compromisso de não publicar, claro) é mais previsível e corriqueiro em Brasília do que a seca. Talvez algum dia as mudanças climáticas façam chover torrencialmente lá nesta época do ano. Mas nesse dia continuará a haver, com 100% de certeza, algum primeiro escalão atrás de coleguinhas da imprensa para falar mal de outro. O que importa a opinião de Nelson Jobim sobre Ideli Salvatti? O mesmo tanto que a opinião dela sobre ele. Nada. E qual a importância de a chefe da Casa Civil "não conhecer Brasília"? Ela não é a secretária de Turismo do Governo do Distrito Federal. É a ministra-chefe da Casa Civil. Com a caneta na mão, certamente encontrará quem lhe explique rapidamente tudo o que deve saber. E o que não. Como um dia alguém explicou ao próprio Jobim. Perceba o leitor a desimportância do tema. Eu nem deveria estar escrevendo sobre isso. Para não desperdiçar o seu precioso tempo com desimportâncias. Aliás, a respeito das ditas cujas quem deu o tom correto foi o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, animal político até o último átomo, quando discorreu sobre o (ir)relevantíssimo tema de quem votou em quem na eleição. A presidente da República degusta nas semanas recentes um cardápio variado de encrencas. Todas elas compatíveis com sintomas de envelhecimento governamental. Porque o governo Dilma é novo, mas também velho, visto que sua excelência aceitou a hegemonia absoluta do vetor de continuidade. Agora colhe os resultados. Ou então ela própria os provoca, ao abrir caminho para a amplificação das crises. Justiça se faça, é admirável ela ter obrigado as autoridades acusadas de malfeitos a comparecer ao Congresso Nacional para prestar contas. Merece aplausos. É uma bela contribuição aos hábitos políticos nacionais. Mas é também evidente que Dilma vai surfando nas ondas -as importantes e as desimportantes- com o objetivo de livrar-se do pedaço, ou dos pedaços, que a incomodam na herança. E, assim, o método que parece uma bagunça pode ser lido como portador de alguma racionalidade. Inclusive no uso inteligente da opinião publicada. E o desimportante adquire estatura ao lado do importante. Comecei este post notando que algo parece bastante desarrumado na condução política do governo Dilma. E que a responsabilidade nesses casos é sempre do chefe. Quem está desarrumando o governo é a própria. Num extremo, o subestimador dirá que ela vem engolfada pelas ondas sucessivas. No outro, o superestimador defenderá a suposta genialidade estratégica da chefe do governo. A verdade, como sempre, deve estar em algum ponto intermediário. A presidente, antes de tudo, parece ciosa do poder dela. Numa combinação de instinto, intuição, cérebro e fígado vai ajudando a desfazer o que recebeu, vai empurrando para fora do barco quem cujo peso representa risco para a embarcação. E, unindo o útil ao agradável, lança ao mar também quem se acha mais capaz que ela de ocupar o posto de comando. O risco é sabido. Reunir no campo adversário uma massa crítica com capacidade de desestabilizar o governo. Com o grau de confiança que exibe, sua excelência certamente avalia baixo esse risco. Inclusive porque as cisões na oposição oferecem múltiplos possíveis pontos de apoio do lado de lá.

sábado, 6 de agosto de 2011

Um diplomata para o Ministério da Defesa?

A reação ao nome do embaixador Celso Amorim para a Defesa foi ruim particularmente no Exército, que teve uma relação difícil e conflituosa com um outro ministro da Defesa pinçado da carreira diplomática: o embaixador José Viegas, que ocupou a pasta no primeiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva. Ex-ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim assumiu o Ministério da Defesa no lugar de Nelson Jobim Apesar do temperamento duro de Jobim, ele tinha boa relação e o respeito dos comandantes e dos oficiais-generais (os de maior patente) das três Forças, que reconheciam nele um aliado para reivindicar programas e para reduzir o que consideram "preconceito" do governo de esquerda contra os militares. A presidente Dilma Rousseff convidou o ex-ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, a assumir a pasta depois de uma rápida reunião na noite de quinta-feira, quando o ministro Nelson Jobim entregou sua carta de demissão. Amorim aceitou, e a posse será nesta segunda-feira. Ele fez parte da equipe ministerial do governo de Luiz Inácio Lula da Silva, quando ocupou o ministério das Relações Exteriores. Em vista do fato consumado, fiquei a pensar ontem à noite sobre a indicação de Celso Amorim para o Ministério da Defesa. Penso que posso sintetizar como os militares receberam a decisão: é com certeza uma provocação, uma escolha maliciosa, porque pode ser algo ainda pior do que isso: acredito que a presidente Dilma Rousseff não tem noção do que está fazendo nessa área. Pensei: Chegou-se a falar no deputado Aldo Rebelo, que é do PC do B, o partido que fez a guerrilha do Araguaia. Seria preferível a Amorim? O pior é que conclui que seria! Parece-me que o deputado Aldo tem tido um comportamento muito correto na Câmara e tem se tornado notável por defender os interesses nacionais contra certo globalismo que não dá a mínima para o país porque obedece a comandos que não têm pátria. A sensação geral é esta: “Dilma exagerou na dose”. Nelson Jobim gozava da confiança dos militares, que viam nele um ministro realmente empenhado na capacitação e na profissionalização das Forças Armadas. Mais: avaliavam que ele se movia com certa independência em relação ao jogo político-partidário mais raso, preservando a área militar de politizações inoportunas. Dada a trajetória de Amorim no Ministério das Relações Exteriores, teme-se a ideologização dos temas ligados à Defesa. Entre os militares, o novo ministro é visto como um esquerdista arrogante, incompetente e meio doidivanas. Enquanto se travava nos bastidores de Brasília uma batalha insana para rever a Lei da Anistia, estimulada por ministros, o Itamaraty se perfilava com ditadores e protoditadores da América Latina, da África e do Oriente Médio, o que manchou a reputação do Brasil. E o pior é que fez tudo isso para supostamente pôr o nosso país num patamar superior na ordem mundial. Foi um fiasco. Colhemos o resultado contrário. Passaram a nos ver como um povo que faz pouco caso dos direitos humanos. Não tenho dúvidas de que a escolha não foi de Dilma, mas de Lula, e lembro que o que é curioso é que ele está impondo a ela um nome que ele próprio não indicaria; não para a Defesa ao menos. Os militares emitirão algum sinal de protesto? Não! Profissionais, fiéis à hierarquia, vão se subordinar ao chefe, mas certos de que a escolha tem um potencial desastroso. ACINTE Qual será a política de Defesa do homem que alinhou o Brasil com Hugo Chávez, Daniel Ortega, Manuel Zelaya, os irmãos Castro, Rafael Correa, Evo Morales e, de um modo um tanto oblíquo, com as Farc? Amorim foi um dos protagonistas do esforço para condenar a Colômbia na OEA quando o país destruiu um acampamento do terrorista Raúl Reys no Equador. Quando armas venezuelanas foram encontradas com os narcoterroristas colombianos — o que o próprio Chávez admitiu — , o nosso então chanceler teve o topete de pôr a informação em dúvida. Também submeteu o Brasil a um vexame planetário como arquiteto do tal “acordo” com o Irã. À frente do Itamaraty, Amorim perdeu rigorosamente todas as batalhas em que se meteu. O Brasil é hoje visto, internacionalmente, como um país que dá de ombros para os direitos humanos. No auge da indigência intelectual e política, este senhor redigiu, em julho de 2010, uma carta, entregue aos países-membros da ONU, defendendo que o organismo evitasse condenar os países por violação dos direitos humanos. Segundo este gigante da diplomacia, a condenação é contraproducente. Deve-se buscar sempre o diálogo. No documento, sustenta o Itamaraty: “Hoje, o Conselho de Direitos Humanos da ONU vai diretamente para um contencioso (…). Elas [as condenações] servem aos interesses daqueles que estão fechados ao diálogo, já que lhes dá uma espécie de argumento de que há seletividade e politização”. Essa é a razão por que o país se alinhou com aqueles que defendem uma reação branda aos assassinatos promovidos na Síria por Bashar Al Assad. Mas Amorim tem suas preferências. Se jamais censurou ditaduras facinorosas, não perdeu uma chance de condenar a democracia israelense. Como não tem senso de proporção nem de ridículo, levou o Brasil a defender a inclusão dos terroristas do Hamas numa negociação de paz, mas jamais abriu diálogo com a oposição democrática iraniana, por exemplo. O Brasil nunca disse uma vírgula sobre a cooperação militar da Venezuela com a Rússia e com o Irã, mas tentou impedir a ampliação da presença de americanos em bases na Colômbia para combater o narcotráfico porque julgava uma interferência indevida dos EUA na América do Sul. Não sei não… Como vai se comportar, à frente da Defesa, um petista que exercita uma retórica a um só tempo provinciana e megalômana — vale dizer: megalonanica —, que vislumbra um Brasil potência, pronto a arrostar com os gigantes, mas endossa as expressões políticas mais primitivas e antidemocráticas do mundo, muito especialmente as da América Latina, ancorado num antiamericanismo bocó? Quando alguém é indicado para o ministério, cumpre anaisar a sua obra. Abaixo, segue uma síntese dos serviços prestados por Celso Amorim no Itamaraty. Vocês conhecem a lista, mas preciso, uma vez mais, colar a obra ao homem. NOME PARA A OMC Amorim tentou emplacar Luís Felipe de Seixas Corrêa na Organização Mundial do Comércio em 2005. Perdeu. Sabem qual foi o único país latino-americano que votou no Brasil? O Panamá!!! Culpa do Itamaraty, não de Seixas Corrêa. OMC DE NOVO O Brasil indicou Ellen Gracie em 2009. Perdeu de novo. Culpa do Itamaraty, não de Gracie. NOME PARA O BID Também em 2005, o Brasil tentou João Sayad na presidência do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento). Deu errado outra vez. Dos nove membros, só quatro votaram no Brasil - do Mercosul, apenas um: a Argentina. Culpa do Itamaraty, não de Sayad. ONU O Brasil tenta, como obsessão, a ampliação (e uma vaga permanente) do Conselho de Segurança da ONU. Quem não quer? Parte da resistência ativa à pretensão está justamente no continente: México, Argentina e, por motivos óbvios e justificados, a Colômbia. CHINA O Brasil concedeu à China o status de “economia de mercado”, o que é uma piada, em troca de um possível apoio daquele país à ampliação do número de vagas permanentes no Conselho de Segurança da ONU. A China topou, levou o que queria e passou a lutar… contra a ampliação do conselho. Chineses fazem negócos há uns cinco mil anos, os petistas, há apenas 30… DITADURAS ÁRABES Sob o reinado dos trapalhões do Itamaraty, Lula fez um périplo pelas ditaduras árabes do Oriente Médio. CÚPULA DE ANÕES Em maio de 2005, no extremo da ridicularia, o Brasil realizou a cúpula América do Sul-Países Árabes. Era Lula estreando como rival de George W. Bush, se é que vocês me entendem. Falando a um bando de ditadores, alguns deles financiadores do terrorismo, o Apedeuta celebrou o exercício de democracia e de tolerância… No Irã, agora, ele tentou ser rival de Barack Obama… ISRAEL E SUDÃO A política externa brasileira tem sido de um ridículo sem fim. Em 2006, o país votou contra Israel no Conselho de Direitos Humanos da ONU, mas, no ano anterior, negara-se a condenar o governo do Sudão por proteger uma milícia genocida, que praticou os massacres de Darfur - mais de 300 mil mortos! Por que o Brasil quer tanto uma vaga no Conselho de Segurança da ONU? Que senso tão atilado de justiça exibe para fazer tal pleito? FARC O Brasil, na prática, declara a sua neutralidade na luta entre o governo constitucional da Colômbia e os terroristas da Farc. Já escrevi muito a respeito. RODADA DOHA O Itamaraty fez o Brasil apostar tudo na Rodada Doha, que foi para o vinagre. Quando viu tudo desmoronar, Amorim não teve dúvida: atacou os Estados Unidos. UNESCO Amorim apoiou para o comando da Unesco o egípcio anti-semita e potencial queimador de livros Farouk Hosni. Ganhou a búlgara Irina Bukova. Para endossar o nome de Hosni, Amorim desprezou o brasileiro Márcio Barbosa, que contaria com o apoio tranqüilo dos Estados Unidos e dos países europeus. Chutou um brasileiro, apoiou um egípcio, e venceu uma búlgara. HONDURAS O Brasil apoiou o golpista Manuel Zelaya e incentivou, na prática, uma tentativa de guerra civil no país. Perdeu! Honduras realizou eleições limpas e democráticas. Lula não reconhece o governo hondurenho até hoje. AMÉRICA DO SUL Países sul-americanos pintam e bordam com o Brasil. Evo Morales, o índio de araque, nos tomou a Petrobras, incentivado por Hugo Chávez, que o Brasil trata como um democrata irretocável. Como paga, promove a entrada do Beiçola de Caracas no Mercosul. A Argentina impõe barreiras comerciais à vontade. E o Brasil compreende. O Paraguai decidiu rasgar o contrato de Itaipu. E o Equador já chegou a seqüestrar brasileiros. Mas somos muito compreensivos. Atitudes hostis, na América Latina, até agora, só com a democracia colombiana. Chamam a isso “pragmatismo”. CUBA, PRESOS E BANDIDOS Lula visitou Cuba, de novo, no meio da crise provocada pela morte do dissidente Orlando Zapata. Comparou os presos políticos que fazem greve de fome a bandidos comuns do Brasil. Era a política externa de Amorim em ação. IRÃ, PROTESTOS E FUTEBOL Antes do apoio explícito ao programa nuclear e do vexame com o tal “acordo”, Lula já havia demonstrado suas simpatias por Ahmadinjead e comparado os protestos das oposições contra as fraudes eleitorais à reclamação de uma torcida cujo time perde um jogo. Amorim foi o homem a promover essa parceria… AGORA, O CONTRATO DOS RAFALE SAI!!!!

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Sun-Tzu às avessas

Talvez seja preciso estar na América Latina para enxergar este fenômeno e crer nos próprios olhos: o fracasso econômico do socialismo e o desmantelamento da URSS não debilitaram no mais mínimo que fosse o movimento comunista. Transmutado, reorganizado, investido de novas estratégias de uma complexidade e sutileza alucinantes, ele avança com passo mais seguro que nunca, subjugando nação após nação, consolidando seu domínio nos organismos internacionais, nos órgãos de mídia, nas instituições de alta cultura e no sistema judiciário até mesmo dos países que mais valentemente se opunham ao comunismo uma década e meia atrás. O mais impressionante de tudo foi a rapidez com que cacoetes mentais e critérios automáticos de julgamento criados por ideólogos comunistas para desmantelar a cultura adversária se impregnaram, com força hipnótica, nos círculos de “formadores de opinião” em todo o Ocidente, erigindo uma formidável barreira de preconceitos paralisantes contra qualquer veleidade de anticomunismo. Em menos de quinze anos, cada item do programa comunista, com nome apenas levemente alterado, se impôs ao mundo como um dogma inatacável, sacrossanto, imbuído da autoridade moral de tudo julgar e condenar sem poder jamais ser ele próprio submetido a exame. O simples ato de denunciar a origem comunista desses slogans e chavões é estigmatizado como prova de fanatismo ou paranóia. Mesmo homens que jamais desejariam vê-los postos em prática se esmeram em protegê-los dos ataques da “extrema direita”, termo redefinido para abranger tudo o que esteja à direita do centro – um centro que se move cada vez mais para a esquerda. Investida do privilégio do inomeável, a ação comunista torna-se invisível e onipresente ao ponto de poder com a maior facilidade debitar seus próprios crimes na conta do adversário, induzindo-o a lutar contra si mesmo no momento em que ele mais precisaria reunir forças para resistir ao ataque. Em muitos países do Ocidente, a investida islâmica, apoiada e municiada pelos comunistas, desencadeou uma onda de ódio, não ao Islam, mas à religião em geral e, para cúmulo de absurdo, especialmente à cristã, fazendo com que muitos povos reneguem a única tradição religiosa que jamais possuíram, a única que poderia restaurar seu senso de unidade cultural sem o qual toda resistência se mostra impossível. Essa reação autodestrutiva não é, decerto, espontânea. Como já se repetiu tantas vezes na História, um exército de liberais “progressistas”, embriagado de abstratismo doutrinal e cego ante a realidade histórica concreta, se aproveita da confusão do momento para tentar novamente destruir seu desafeto de sempre, sem querer ver que, com isto, só fomenta a derrota geral e o advento de uma tirania que, com toda a certeza, estará nos antípodas de todo liberalismo. Sun-Tzu ensinava que o segredo da vitória é conhecer o adversário e conhecer-se a si mesmo. Com a ajuda dos “progressistas”– por desgraça, os dominadores absolutos da mídia ocidental -, o front comunista-islâmico logrou fazer com que o adversário o ignore e se ignore a si mesmo, ao ponto de querer furar alegremente os próprios olhos na véspera da batalha decisiva.