"Pensar que o homem nasceu sem uma história dentro de si próprio é uma doença. É absolutamente anormal, porque o homem não nasceu da noite para o dia.Nasceu num contexto histórico específico, com qualidades históricas específicas e, portanto, só é completo quando tem relações com essas coisas.Se um indivíduo cresce sem ligação com o passado, é como se tivesse nascido sem olhos nem ouvidos e tentasse perceber o mundo exterior com exatidão. É o mesmo
que mutilá-lo."Carl Jung
que mutilá-lo."Carl Jung
quarta-feira, 7 de setembro de 2011
A Parada Errada se repete
Algum tempo atrás escrevi, a propósito do emprego das Forças Armadas no combate ao tráfico de drogas no Rio de Janeiro, um artigo intitulado "O pó suja a farda” que, por ter incluído no meu primeiro livro, não publiquei neste blog. Neste artigo, alertava que o Exército, cedo ou tarde, sofreria duros ataques na guerra assimétrica promovida pelo anti-patriótico Governo do Crime Organizado. Como sempre acontece, toda vez que o esquema de poder vigente é questionado popularmente, seus esquemas mafiosos são desnudados e seus líderes temem algum golpe, solta-se o chamado “quarto elemento” contra as Forças Armadas.
Parece filme produzido na Boca do Lixo (ou de Fumo, se preferirem). Criminosos politicamente comandados atacam os militares que cumprem a missão de Garantia da Lei e da Ordem. Os soldados e seus comandantes, quando reagem, voltam a ser, injustamente, alvos de suspeitas de “violações dos direitos humanos”. Bandidos, os chefes deles, o Ministério Público e a Mídia cumprem a missão de estigmatizar o Exército. Até quando nossos militares aceitarão cair nesta armadilha – uma parada errada que se repete e já está manjada pelo mais inocente estrategista?
Se o Exército Brasileiro continuar passivamente aceitando tais ataques, será melhor que todos nos unamos, em abaixo assinado, para pedir à Chefona-em-Comando, Velha Guerrilheira e Nova Faxineira Dilma Rousseff, que promova o Comandante do EB ao posto de Marechal. Só que o General Enzo Peri receberá a Quinta Estrela do PT. Vermelha como o âmago de uma melancia em rápido apodrecimento!
terça-feira, 6 de setembro de 2011
Dia da Raça e Grito dos Excluídos... Duas excrescências!
Anteontem, dia 04/09/2011, houve em Belém o desfile pelo dia da raça...mas que diabos é isto?
Vocês já viram algum filme cujo script é o de um astronauta que ao retornar à terra vê tudo mudado? Putz, o próprio Planeta dos Macacos, que atualmente está em cartaz em novíssima versão, já se utilizou de um argumento assim, não foi?
Pois é...parece que isto mesmo se deu comigo: quando eu era criança, eu morava em Pelotas, Rio Grande do Sul, e talvez porque naquele tempo a cidade fosse razoavelmente pequena ou ainda porque aquele povo mantivesse um fervor patriótico mais agudo (sim, é uma característica marcante, especialmente entre os descendentes de italianos), o fato é que todos os desfiles aconteciam unicamente no dia 7 de setembro, em apoteótica euforia. Lembro-me dos veteranos da 2ªGM à frente, seguido pelos escoteiros, depois pelas diversas escolas, clubes, associações e por fim, das forças armadas...
Mais tarde, vim a estudar em Colégio Militar, e novamente, marchava no dia 7 de setembro, pela pátria, e o mesmo se deu quando fui aluno do Curso de Formação de Oficiais da Reserva do Exército, sempre pela comemoração da Independência do Brasil. Naquele tempo, já havia sido feito costume de as escolas desfilarem no dia 5 de setembro, mas apenas como um adiantamento para que o desfile do dia 7 não fosse tão desgastante.
O problema é que depois de alguns anos tendo exercido a profissão de oficial do Exercito, desligo-me desta atividade e passo a exercer o ofício de militar estadual, e então me deparo com tal estrovenga que jamais ouvira falar: o dia da raça(!/?).
Preciso dizer que já pesquisei a fundo na internet para entender o porquê deste dia e não encontrei patavinas, a não ser o de um evento homônimo comemorado em Portugal, mas lá o termo "raça" é utilizado para referir-se ao próprio povo português.
Será que alguma das crianças ou dos professores que marcharam domingo têm alguma idéia pelo que caminham, a endossar com seus passos uma causa que provavelmente desconhecem, ou que, conhecendo, possivelmente a rejeitariam? Que tal se toda a blogosfera liberal-conservadora começasse a discutir isto?
Será que o negócio é homenagear alguma raça em particular, por exemplo, a negra ou a indígena? Bom, neste caso eu sou terminantemente contra, mesmo que fosse a sueca, a japonesa ou a marciana! Não há motivo para tal absurdo em nosso país.
Amanhã, será o dia 7 de setembro, dia da Pátria, Dia da Independência do Brasil. Deveria ser um dia para todos os brasileiros lembrarem-se do sacrifício e sofrimento dos nossos antepassados para nos legarem um país onde pudéssemos viver a vida como homens e mulheres livres.
A data é momento cívico, e não político! Entretanto, desde há 17 anos, as esquerdas, por meio dos seus movimentos sociais como o MST, com forte patrocínio da turma da Teologia da Libertação, da Igreja Católica, vêm agindo dolosamente com o seu "grito dos excluídos", procurando desqualificar o sentido do dia mais importante da nação com o objetivo explícito de corromper o senso de brasilidade, de instituição, de honra, de nacionalidade e de unidade entre os brasileiros para ali implantar as suas medonhas doutrinas de ódio.
Amanhã é dia para quem estiver na avenida vaiar com toda a força dos seus pulmões estes verdadeiros traidores da pátria, impostores e charlatães, víboras peçonhentas! Todo dia há que se fazer política, por mais ralé que seja - mas não no dia do Brasil! Não no momento em que nos afirmamos como nação. Vamos pôr um pouco de vergonha na cara desta gente!
segunda-feira, 5 de setembro de 2011
Para pensar...
O dinheiro e as barras de ouro estavam em cofres e carteiras de vítimas do tsunami no Japão. Em casas e empresas destruídas. Nas ruas, entre escombros e lixo. Ao todo, o equivalente a R$ 125 milhões. Dinheiro achado não tem dono. Certo? Para centenas ou milhares de japoneses que entregaram o que encontraram à polícia, a máxima de sua vida é outra: não fico com o que não é meu.
E em quem eles confiaram? Na polícia, que localizou as pessoas em abrigos ou na casa de parentes e já conseguiu devolver 96% do dinheiro.
A reportagem foi do correspondente da TV Globo na Ásia, Roberto Kovalick. A história encantou. “Você viu o que os japoneses fizeram?” Natural a surpresa. Num país como o Brasil, onde a verba destinada às inundações na serra do Rio de Janeiro vai para o bolso de prefeitos, secretários e empresários, em vez de ajudar as vítimas que perderam tudo, esse exemplo de cidadania parece um conto de fadas. O que aconteceu em Teresópolis e Nova Friburgo não foi um mero e imoral desvio de dinheiro público. Foi covardia.
Político japonês não é santo. Mas digamos que, em alguns países, os valores da população são menos complacentes do que em nosso cordial patropi. E a impunidade não é regra. Em que instante a nossa malandragem deixa de ser folclórica e cultural e passa a ser crime de desonestidade? Por que a lei de tirar vantagem em tudo está incrustada na mente de tantos brasileiros? A tal ponto que os honestos passam a ser otários porque o mundo seria dos espertos? Eles devolveram às vítimas do tsunami R$ 125 milhões. Precisamos – nós e a polícia – aprender a agir assim.
Objetivos Nacionais Permanentes
De acordo com a doutrina da Escola Superior de Guerra, Poder Nacional é "a capacidade que tem o conjunto interagente dos homens e dos meios que constituem a Nação, atuando na conformidade com a vontade nacional, de alcançar e manter os Objetivos Nacionais" e os Objetivos Nacionais Permanentes são: Democracia, Paz Social, Progresso, Soberania , Integração Nacional e Integridade do Patrimônio Nacional.
Democracia caracteriza-se por" ser representada pela incessante busca de uma sociedade que propicie um estilo de vida identificado pelo respeito à dignidade da pessoa, pela liberdade e pela igualdade de oportunidades, pela adoção de um regime político que se caracterize fundamentalmente pelo contínuo aprimoramento das instituições e da representação política, bem como sua adequação aos reclamos da realidade nacional e pela legitimidade do exercício do poder político, através do governo da maioria e do respeito às minorias".
Paz Social é representada" pelo culto aos valores da cristandade, refletindo um valor de vida, não imposto, mas decorrente do consenso, em busca de uma sociedade caracterizada pela conciliação e harmonia entre pessoas e grupos, principalmente entre o capital e o trabalho, e por um sentido de justiça social que, valorizando as potencialidades da vida em comum, beneficie cada um, bem como a totalidade dos homens".
O Progresso possui as seguintes características: "adequado crescimento econômico, aperfeiçoamento moral e espiritual do homem, capacidade de prover segurança, padrões de vida elevados, ética e eficácia no plano político, constante avanço científico e tecnológico".
A Soberania caracteriza-se pela " manutenção da intangibilidade da Nação, assegurada a capacidade de autodeterminação e da convivência com as demais Nações em termos de igualdade de direitos, não aceitando qualquer forma de intervenção em seus assuntos internos, nem participação em atos dessa natureza em relação a outras Nações, significando também a supremacia da ordem jurídica em todo o território nacional".
A Integridade do Patrimônio Nacional caracteriza-se por representar a " integridade territorial, do mar patrimonial, da zona contígua, da zona econômica exclusiva e da plataforma continental, bem como do espaço aéreo sobrejacente. Integridade dos bens públicos, dos recursos naturais e do meio ambiente, preservados da exploração predatória. Integridade do patrimônio histórico-cultural, representado pela língua, costumes e tradições, enfim a preservação da identidade nacional".
Já a Integração Nacional é constituída pela" consolidação da comunidade nacional, com a solidariedade entre seus membros, sem preconceitos ou disparidades de qualquer natureza, visando à sua participação consciente e crescente em todos os setores da vida nacional e no esforço comum para preservar os valores da nacionalidade e reduzir desequilíbrios regionais e sociais. Incorporação de todo o território ao contexto político e socioeconômico da nação".
No momento, tais conceitos tornam-se importantes para serem repassados por todos nós, brasileiros, devido à insegurança vivenciada, gerada principalmente por pressões externas. Sofremos o risco de serem agravadas as tensões no plano social, com o acirramento e a indução de choques de caráter racial, religioso, étnico. As famigeradas ONGs e a mídia internacional, secundada pela mídia nacional, vão procurar jogar irmão contra irmão, católicos contra protestantes e espíritas, brancos contra negros e índios. Seu objetivo é abalar nossa coesão social, para fragilizar-nos.
Quanto à coesão territorial, vão tentar acelerar o processo de demarcação de terras indígenas, para depois preparar o terreno para o "direito dos índios à autodeterminação" e para aplicar o "direito de ingerência dos mais fortes", o que lhes possibilitaria retalhar o território brasileiro, em especial a Região Amazônica, dividindo-a em quistos, protegidos por uma força internacional de paz. A pretexto de defender os direitos dos índios, vão explorar nossas riquezas e recursos naturais, cada vez mais raros e, depois de atingir seus nefandos objetivos, vão abandonar os nossos aborígenes ou, então, vão tratá-los da mesma forma como trataram os seus índios, na conquista do oeste americano.
Os movimentos separatistas em embrião no país (no sul, incentivados até por ingleses, e no nordeste) também serão estimulados e apoiados via externa. Tentativas de guerrilha e de enquistamentos, como, por exemplo, a ação do MST, que já participou de reunião de cunho terrorista no México, com integrantes da chamada guerrilha zapatista, numa tentativa de coordenar o movimento subversivo no continente americano (México, Peru, Colômbia, Equador etc.) serão incrementadas, visando a obter a secessão.
E a economia está sendo usada para facilitar toda esta ignomínia, através da venda das idéias do neoliberalismo, em especial da chamada "globalização", que nada mais representa do que um pseudônimo para o novo imperialismo do G-7, capitaneado pela potência hegemônica. É o "globaritarismo" ( totalitarismo da globalização). Isto porque sua nefasta ação objetiva destruir o Estado Nacional Soberano, única instituição capaz de impedir o sucesso de nossos inimigos. A "globalização" tem como objetivo principal o controle dos mercados e a uniformidade do pensamento. Por intermédio do pensamento, com o apoio de idéias adequadas, procura direcionar as forças sociais e, consequentemente, determinar o futuro ou a história.
A "globalização" disfarça novas formas de poder: é a nova forma do colonialismo. O processo que conduz à "globalização", através de políticas neoliberais, acaba por desestruturar o Estado Nacional Soberano. O processo é direcionado prioritariamente para obrigar a população a aceitar um novo paradigma, de modo que passe a aceitar, passivamente, a subordinação da cultura nacional à cultura "global". Assim, a conquista da nação soberana, ou do mais importante, de seus recursos naturais, pode ser facilmente obtida sem a utilização do poder militar. É a aldeia global. A parcela de ricos de qualquer país tenderia a uma forma comum de pensar que, no limite, se ajustaria como classe, defenderia seus privilégios, independentemente do Estado-Nação a que pertencesse.
A Democracia é uma verdadeira obra de ficção. Vivemos numa ditadura constitucional, onde o Executivo chega a ameaçar os integrantes do Legislativo de perda de cargos de confiança de seus apaniguados, caso não votem de acordo com seus desejos. As regras do chamado horário gratuito eleitoral apenas atendem aos interesses dos partidos majoritários, que não por acaso possuem as maiores bancadas no Congresso. Desta forma, há a perpetuação no poder. Até parentes, antes ilustres desconhecidos, são eleitos devido ao poder dos vastos recursos materiais empregados.
A Paz Social está a cada dia mais ameaçada. A ação agressiva do MST, do MLST no campo e na cidade mostra uma situação perigosa. A administração federal não agiu no tempo adequado e agora os problemas tornaram-se muito mais graves. Nas grandes cidades, em especial, é deflagrada uma guerra civil não declarada. As razões de insegurança predominam e não são resolvidas pelas autoridades responsáveis pela segurança pública. Assalta-se em plena luz do dia, na frente de todos, e os marginais não são sequer presos, quanto mais punidos.
A Soberania corre cada vez mais risco. A ordem jurídica não é mais respeitada no território nacional. As autoridades locais submetem-se a diretrizes determinadas pelo Resto do Mundo. Até a moeda querem nos tirar! Burocratas de terceiro escalão do FMI regulam até o volume de investimento na área social.
O Progresso está cada vez mais distante. A Economia Brasileira está estagnada há mais de dois anos. A miséria atinge uma faixa de 30 milhões de brasileiros. O desemprego continua em torno de 20 % da população economicamente ativa, segundo o DIEESE. A precarização do trabalho e as relações informais crescem, deixando o trabalhador desprotegido. A privatização selvagem impede os brasileiros de voltar a ter esperanças no futuro. Tudo está sendo vendido. Estamos ficando cada vez mais dependentes.
Para mantermos nossos Objetivos Nacionais Permanentes é indispensável o urgente fortalecimento das nossas Instituições, em especial de nossas Forças Armadas, além da existência de um governo apto a enfrentar o que será talvez um dos maiores desafios da nossa História. Preservar para os nossos filhos aquilo que foi tão duramente conquistados pelos nossos antepassados. Afinal, o Brasil é dos brasileiros! Caso permaneçamos indiferentes, ausentes, medrosos, nossos filhos terão o direito de cobrar-nos: Por que não fomos capazes de, além de doar nossas vidas em defesa do que recebemos, dar-lhes razão para continuarem a viver dignamente?
sábado, 3 de setembro de 2011
Falência moral da democracia brasileira
A sociedade brasileira está em crise. Não sabemos, como povo organizado, qual é o nosso padrão de comportamento. Nas últimas décadas estivemos preocupados com outras coisas, que encheram a nossa agenda, ao ensejo da saída do último ciclo autoritário para a construção da Nova República. Não foi resolvida, no entanto, a questão da moral social, que daria embasamento às instituições. Acontece que sem equacionar essa questão tudo o mais fica no ar: Constituição, Códigos de Direito Civil e Penal, funcionamento adequado dos poderes públicos, pacto federativo, respeito às leis, organização e funcionamento dos partidos políticos, fundamento das práticas econômicas em rotinas de transparência que dariam ensejo ao que Alain Peyrefitte denominava "sociedade de confiança", governabilidade, etc.
Definamos o que se entende por moral: como frisa mestre Antônio Paim no seu Tratado de Ética, ela consiste num "conjunto de normas de conduta adotado como absolutamente válido por uma comunidade humana numa época determinada". A moral tem uma dupla dimensão, individual e social. A primeira se identifica com o que Immanuel Kant denominava "imperativo categórico da consciência". A segunda consiste na definição do mínimo comportamental que uma sociedade exige dos seus indivíduos para que se torne possível a vida em comunidade. A moral social pode ser de dois tipos: Vertical, quando um grupo de indivíduos impõe ao restante o padrão de comportamento; social, quando o padrão de comportamento é adotado por consenso da comunidade. A moral social consensual constitui, no mundo contemporâneo, o fundamento axiológico da vida democrática.
No plano da moral social, no entanto, herdamos modelos verticais que não se ajustam aos ideais democráticos. Os arquétipos de moral social sedimentados na História quadrissecular da Nação brasileira ressentem-se do vício do estatismo e da verticalidade que ele implica. É evidentemente vertical o modelo de moral social herdado da Contrarreforma; nele os indivíduos deveriam agir, em sociedade, seguindo à risca os ditames provenientes da Igreja mancomunada com o trono, no esquema de absolutismo católico ensejado pelos Áustrias na Península Ibérica, ao longo dos séculos 16 e 17. De outro lado, o modelo imposto pelo despotismo iluminista de Sebastião José de Carvalho e Melo, o marquês de Pombal, no século 18, não mudou radicalmente as coisas, pois pecava por manter a verticalidade da formulação do código de moral social, ao ensejo da "aritmética política" que passou a vigorar, ao redor dos seguintes princípios: Compete ao Estado empresário, alicerçado na ciência aplicada, garantir a riqueza da Nação. É da alçada do Estado fixar a normas que consolidam a moralidade pública e privada.
O cidadão, em razão de tais princípios, ficava desonerado das incumbências de produzir a riqueza e de se comprometer com a definição da moral social, que nas democracias modernas terminou sendo configurada de forma consensual pelas respectivas sociedades. Tudo se resolveria mediante a tutela do Estado modernizador sobre os cidadãos, considerados como simples peças da engrenagem a ser gerida pelo governo. O ciclo imperial, com a preocupação da elite em prol da constituição e do aperfeiçoamento da representação, mantendo a unidade nacional contra os separatismos caudilhescos, num contexto presidido pelos ideais liberais, foi abruptamente rompido pelo advento da República positivista. Frustraram-se assim, talvez de forma definitiva, a aparição e o amadurecimento de um modelo ético de moral social consensual.
Ora, a partir do arquétipo pombalino firmaram-se os modelos de moral social vertical que têm presidido a nossa caminhada ao longo dos dois últimos séculos, de mãos dadas com a cultura patrimonialista, que sempre entendeu o Estado como bem a ser privatizado por clãs e patotas, desde a República iluminista apregoada por frei Caneca, no início do século 19, à luz da denominada "geometria política", passando pela "ditadura científica" positivista, que se tornou forte ao ensejo do Castilhismo, no Rio Grande do Sul, nas três primeiras décadas do século passado, passando pelo modelo getuliano de "equacionamento técnico dos problemas" (elaborado pela segunda geração castilhista, com Getúlio Vargas e Lindolfo Collor como cérebros dessa empreitada, e cooptando, como estamento privilegiado, as Forças Armadas). A última etapa dessa caminhada estatizante foi o modelo tecnocrático efetivado pelo ciclo militar, à sombra da "engenharia" política do general Golbery do Couto e Silva.
Com o advento da Nova República tentou-se retomar a questão da representação política como meio para configurar, no País, a formulação de uma moral social consensual. No entanto, o fracasso da reforma política que levaria ao amadurecimento da representação terminou dando ensejo, no ciclo lulista e na atual quadra do pós-lulismo, à consolidação de modelo vertical de moral social formulado no contexto do que se denomina "ética totalitária", segundo a qual os fins justificam os meios. A cooptação de aliados pelo Executivo hipertrofiado, no seio de uma consciência despida de freios morais, terminou dando ensejo à atual quadra desconfortável de corrupção generalizada, que ameaça gravemente a estabilidade econômica, duramente conquistada nas gestões social-democratas de Fernando Henrique Cardoso.
O Brasil perde o seu rumo, num mundo agressivo e cada vez mais interdependente, assombrado pela ética totalitária petista, aliada, na síndrome lulista do "herói sem nenhum caráter", a desprezíveis formas de populismo irresponsável, que elevou como ideal o princípio macunaímico de levar vantagem em tudo, num sórdido cenário de desfaçatez e incultura. Tudo presidido pela maré estatizante que se apropria da riqueza da Nação para favorecer a nova casta sindical e burocrática que emerge ameaçadora, excludente e voraz.
sexta-feira, 2 de setembro de 2011
Diplomacia de sonâmbulos
O elemento durável e decisivo na História são as religiões: o Estado, a nação e, no fim das contas, tudo o que hoje se denomina "política" são apenas a espuma na superfície de uma corrente que se constitui, em essência, da história das religiões.
Pergunto-me se alguém, no nosso governo, tem alguma compreensão do pano-de-fundo religioso, místico e esotérico das manobras do presidente iraniano Mahmud Ahmadinejad. A resposta é evidentemente "Não". A simples idéia de que em política a religião possa ser algo mais que um adorno - ou disfarce - publicitário é absolutamente inalcançável para os brucutus do Palácio do Planalto e para os galináceos engomados do Itamaraty.
Toda vez que essa gente toma decisões em assuntos que pairam infinitamente acima de seus neurônios e arrastam o povo na direção de um destino que este compreende menos ainda, a liderança intelectual, política, empresarial e militar deste país deveria bater no peito e, genuflexa, recitar: Mea culpa, mea culpa, mea maxima culpa.
O Brasil está se transformando no instrumento mais passivo, bocó e inconseqüente de políticas internacionais desastrosas que, nas presentes condições, não podem sequer ser objeto de um debate público sério por absoluta falta de debatedores informados.
A ideologia dominante no mundo moderno apregoa que a sociedade política é uma realidade auto-subsistente, dentro da qual, e como parte subordinada da qual, existe um fenômeno chamado "crenças", cujo exercício o Estado, conforme lhe dê na telha, protege ou reprime.
Essa visão das coisas, hoje tida como dogma do senso comum, é diretamente contraditada pela realidade histórica. Não existe no universo um só Estado ou nação que não tenha surgido desde dentro das religiões, como capítulo fugaz da história dos seus antagonismos internos e externos. O elemento durável e decisivo na História são as religiões: o Estado, a nação e, no fim das contas, tudo o que hoje se denomina "política" são apenas a espuma na superfície de uma corrente que se constitui, em essência, da história das religiões, tomado o termo num sentido amplo que abrange os movimentos ocultistas e esotéricos, incluindo os que se travestem de materialistas e agnósticos (o marxismo é o exemplo mais nítido: leiam Marx and Satan, do pastor Richard Wurmbrand, e To Eliminate the Opiate, do rabino Marvin Antelman, e entenderão do que estou falando).
Obscurecido pela ilusão da "política", o predomínio absoluto do fator religioso na História mostrou uma vez mais sua força no instante em que o projeto de governo global, muito antes de se traduzir em medidas políticas concretas, teve de se constituir, já desde os anos 50, numa engenhoca espiritual que acabaria por tomar o nome de United Religions Initiative (cito uma vez mais Lee Penn, False Dawn: The United Religions Initiative, Globalism and the Quest for a One-World Religion, leitura obrigatória para quem quer que deseje entender o mundo de hoje).
Mas, se as lideranças globalistas estão bem cientes desse fator, ele continua ignorado pela massa dos analistas políticos, comentaristas de mídia e "formadores de opinião" em geral, apegados, por força da sua formação universitária, ao mito do "Estado leigo", como se a razão de ser deste último não fosse, precisamente, o advento final de algo como a United Religions Initiative.
O único lugar do planeta onde a consciência do poder da religião como força modeladora da História está viva não só entre os intelectuais como até entre a população em geral, é o Islam. Por isso é que milhões e milhões de muçulmanos têm um senso de participação consciente em planos estratégicos de longuíssima escala - em escala de séculos - para a instauração do império islâmico mundial.
Esse senso, aliado à completa invisibilidade dessa escala no horizonte histórico estreito dos políticos ocidentais, basta para explicar que o Islam tenha hoje a maior militância organizada que já se viu no mundo - um poder avassalador a cuja marcha triunfante os países mais ricos e supostamente mais fortes não sabem nem podem oferecer senão uma resistência verbal perfeitamente inútil.
Habituados a raciocinar em termos de poderes estatais, militares, econômicos e burocráticos, os estrategistas do Ocidente perdem freqüentemente de vista a unidade profunda do projeto islâmico ao longo do tempo, nublada, a seus olhos, por divergências momentâneas de interesses nacionais que, para eles, constituem a única realidade efetiva.
E nisso refiro-me aos estrategistas das grandes potências, não a seus macaqueadores de segunda mão que hoje constituem a "zé-lite" da diplomacia luliana. Estes não têm sequer a noção de que exista, para além dos lances do momento, um projeto islâmico de longo prazo, ao qual servem sem atinar com o sentido daquilo que fazem ou dizem. Movem-se na cena do mundo como sonâmbulos errando entre sombras, imitando o soneto célebre de Fernando Pessoa:
"Emissário de um rei desconhecido,
Eu cumpro informes instruções de além,
E as bruscas frases que aos meus lábios vêm
Soam-me a um outro e anômalo sentido."
quinta-feira, 1 de setembro de 2011
Guerras santas
Grande parte das culturas antigas concedia aos chefes, aos guerreiros e poderosos o direito de livrar-se, quando bem entendessem, dos fracos indesejáveis. Crianças, velhos e doentes podiam ser mortos por simples capricho de homens jovens e saudáveis que não queriam trabalhar para sustentá-los. Isso foi assim durante milênios. Foi assim no Egito, na Babilônia, no Império Romano, na China, na Arábia pré-islâmica. Foi assim entre os celtas, germanos, vikings, africanos, maias, aztecas e índios brasileiros. Foi assim quase por toda parte. O número de inocentes enterrados vivos, queimados, entregues às feras ou despedaçados em rituais sangrentos em nome dessa lei bárbara é incalculável.
É toda uma humanidade que foi eliminada do caminho dos fortes, ambiciosos e triunfantes senhores de antigamente.
O morticínio permanente só foi interrompido graças à ação de duas forças que emergiram bem tarde no cenário da História: o cristianismo, no Ocidente, o islamismo no Oriente. Antes delas, o judaísmo já conhecia a incondicionalidade do "Não matarás". Mas o judaísmo não é uma religião proselitista: os judeus, nação minoritária, limitaram-se a praticar entre si um modo de vida mais elevado e mais humano, sem poder ou pretender ensiná-lo aos povos em torno. (O budismo e o hinduismo também tiveram acesso a verdades similares, mas seu caso é especial e deixarei para analisá-lo noutra oportunidade.) Essencialmente, foi graças à moral cristã e à lei muçulmana que o universal direito à vida, revelado inicialmente aos judeus, se tornou patrimônio de todos os homens.
Não houve, ao longo da história, fato mais decisivo. Pois ele não importou somente numa extensão quantitativa. Ao transferir-se para classes de pessoas que antes não o desfrutavam, ou que o desfrutavam somente como concessão de outras pessoas, o direito à vida sofreu radical mutação qualitativa: passou de relativo a absoluto, de condicionado a incondicionado e condicionante. Tornou-se o primeiro de todos os direitos, do qual todos os demais decorrem.
Conceder ao ser humano um direito qualquer, de propriedade ou herança, por exemplo, negando-lhe ao mesmo tempo o direito de existir, é, de fato, apenas uma piada demoníaca. Mas essa piada foi o "script" verdadeiro das vidas de milhões de seres humanos.
Hoje em dia qualquer criança compreende que a prioridade do direito à vida é algo simplesmente lógico, que flui da natureza das coisas. Apóstolos dos "direitos humanos" tomam-no como uma obviedade elementar, como o pressuposto indiscutido e indiscutível dos seus discursos.
Mas poucos se lembram de que o reconhecimento dessa obviedade natural não foi natural nem óbvio. Para disseminá-lo, foi necessário vencer as resistências prodigiosamente obstinadas das culturas antigas. Monges, pregadores, santos foram trucidados por toda parte aonde levassem essa mensagem, tão evidente em si mesma quanto hostil a toda organização social fundada na precedência de outros direitos: direitos de sangue, direitos territoriais, direitos de casta. Para muitas culturas, ceder nesse ponto era abdicar de instituições, leis, privilégios milenares. Era autodestruir-se, era dissolver-se na unidade maior da cultura recém-chegada, portadora da nova lei. Muitos povos souberam adaptar-se à transição sem grandes perdas, tornando-se eles próprios porta-vozes da melhor notícia que a humanidade já havia recebido. Outros obstinaram-se na defesa de direitos imaginários. Por isso foi necessário destruir suas culturas.
A cada guerra empreendida pelos exércitos cristãos e islâmicos contra as nações que rejeitavam sua lei, foram garantidas, à custa da morte de uns milhares de soldados, as vidas de milhões de seus descendentes. A extensão dessa obra salvadora é imensurável. Jamais um bem tão fundamental foi legado a tantas gerações de seres humanos.
Por isso essas guerras foram santas. Por isso foi santa a vontade de domínio que fortaleceu mais os portadores do novo direito universal do que os defensores de costumes locais. Dos descendentes dos povos derrotados, que hoje, movidos por um saudosismo artificial e fingido, se prevalecem dos direitos recebidos dos vencedores para fazer a apologia das culturas derrotadas e condenar sua destruição como um crime inominável, a maioria, se os vencidos tivessem triunfado, simplesmente não existiria. Em algum ponto da história de suas famílias a continuidade da sua linha ancestral teria sido interrompida: sua bisavó teria sido sepultada viva, seu tetravô entregue às feras, o tetravô de seu tetravô estrangulado no berço ou largado no chão até morrer de fome -- tudo sob as bênçãos de reis, hierofantes e tradições veneráveis.
Em cada grupo de índios que aparecem gritando contra a destruição de sua cultura ancestral, uma coisa é certa: se ela não tivesse sido destruída, muitos deles não teriam vivido para ver a luz do dia.
Eu próprio, descendente de bretões e romanos, com muita probabilidade não estaria aqui escrevendo, se algum monge cristão não tivesse detido no ar o braço do sacerdote bárbaro, erguido para o sacrifício de um meu antepassado.
Por isso, alegar os "direitos humanos" como argumento para condenar a destruição de culturas que viveram de ignorá-los e desprezá-los é não apenas um contra-senso lógico, mas uma mentira existencial. Se os direitos do ser humano são primeiros e incondicionais, os direitos das culturas têm de ser, necessariamente, secundários e relativos. Para que os homens sejam iguais em direitos, é preciso que entre as culturas prevaleça não a igualdade, e sim a hierarquia que coloca no lugar mais alto aquelas que reconhecem a igualdade dos homens, a começar pela incondicionalidade do direito à vida. Entre a igualdade dos homens e a igualdade das culturas há uma incompatibilidade radical, que somente pode ser ignorada por uma ideologia autocontraditória, esquizofrênica e perversa.
Não obstante, é essa ideologia que prevalece hoje no ensino e nos meios de comunicação, induzindo crianças e jovens a revoltar-se, em nome do direito e da liberdade, contra as condições sem as quais esse direito e essa liberdade jamais teriam podido vir a existir.
Transmitir semelhante ideologia às novas gerações é cindir as inteligências em formação, cavando um abismo intransponível entre sua visão estereotipada do passado histórico e sua percepção da realidade presente. É destruir na base a possibilidade de toda consciência histórica, e, com ela, as condições de acesso à maturidade intelectual responsável.
É verdade que o discurso incriminatório contra as grandes culturas que humanizaram o planeta está na moda, que repeti-lo faz um professor brilhar ante a classe -- ou ante as câmeras -- como modelo de sujeito moderninho e de mente aberta. Mas até quando nós, pais, havemos de tolerar que a inteligência de nossas crianças seja sacrificada no altar das vaidades de professores que não sabem o que dizem?
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