"Pensar que o homem nasceu sem uma história dentro de si próprio é uma doença. É absolutamente anormal, porque o homem não nasceu da noite para o dia.Nasceu num contexto histórico específico, com qualidades históricas específicas e, portanto, só é completo quando tem relações com essas coisas.Se um indivíduo cresce sem ligação com o passado, é como se tivesse nascido sem olhos nem ouvidos e tentasse perceber o mundo exterior com exatidão. É o mesmo
que mutilá-lo."Carl Jung

quarta-feira, 13 de abril de 2011

BOLSONARO, TAPETES E ARMÁRIOS

“Não concordo com uma só palavra do que dizeis, mas defenderei até a morte o vosso direito de dizê-lo.” Voltaire – escritor, historiador e filósofo francês.
Estamos diante de um impasse: Deixar ou não um ignorante falar? Jair Bolsonaro, deputado federal pelo Rio de Janeiro, vociferou algumas bobagens no CQC do dia 04 de abril e está sendo processado por suas declarações, que têm um pano de fundo racista e homofóbico, apesar de não terem sido injúrias explícitas. Que ele é preconceituoso, radical e sonha com um novo golpe militar não tenho a menor dúvida (aliás, antes de prosseguir, deixe-me esclarecer que não endosso nenhuma de suas opiniões), porém, estamos perante questões maiores: a liberdade de expressão e a hipocrisia.
Até onde o que ele disse fere a lei e até onde seu direito constitucional à livre expressão deve ser protegido? O Art. 5 º da Constituição Federal diz: “Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade (…) é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato.” Por melhores que sejam as intenções em calar as ideias preconceituosas do deputado, ignorar um princípio constitucional em nome disso é (mais um) precedente perigoso em uma democracia frágil como a brasileira. Com tantas leis e projetos de lei visando minar opiniões, cercear a liberdade de imprensa e até mesmo monitorar a internet, podemos estar caminhando lentamente rumo a uma nova ditadura, desta vez de uma esquerda equivocada e igualmente extremista. Cada decisão judicial que censura alguém é mais um pequeno passo nessa direção.
A aplicação retroativa da Lei Ficha Limpa foi barrada pelo Supremo Tribunal Federal sob o argumento de desrespeitar um princípio constitucional. A integridade da Constituição foi considerada pelos desembargadores mais importante do que o combate à corrupção. É um tanto conveniente sacar a Constituição para manter a impunidade e esquecê-la na hora de proteger a liberdade de expressão. Estamos em um Brasil onde tudo dá processo, qualquer um se vê no direito de reprimir a divulgação de fatos e opiniões inconvenientes. No caso dos que processam Bolsonaro, é por um motivo nobre, mas muitos outros se valem dos precedentes abertos em nome de seus interesses pessoais, como Xuxa, ao censurar os resultados do Google, e Sarney, ao amordaçar o Estadão.
O texto do Art. 5 º da Constituição Brasileira tem o mesmo espírito da Primeira Emenda da Constituição Americana. A diferença é que os EUA prezam por esse princípio a ponto de tolerar grupos como o Ku Klux Klan ou o Tea Party Movement, a liberdade de toda a nação vem antes do repúdio a esses grupos, mas o Brasil não está conseguindo enxergar o objetivo maior. Isso significa que devemos tolerar os Bolsonaros? Desde que não haja apologia ou violência em seus discursos, sim. E o motivo é muito simples: É bom que esses ignorantes falem para que saibamos quem eles são, onde estão e quem influenciam. Só assim vamos sacudir os tapetes que encobrem o racismo, a homofobia e a misoginia no Brasil.
Jair Bolsonaro não está só. Ao seu lado, existem muitos outros filhotes da ditadura, além da bancada evangélica. Esses extremistas se colocam na posição de perseguidos políticos e religiosos e influenciam milhares de eleitores e fiéis. Na esteira da polêmica envolvendo Bolsonaro, o pastor Marco Feliciano, deputado federal por São Paulo, deu declarações ainda mais estúpidas, citando a Bíblia para afirmar que africanos são amaldiçoados. Recentemente, Silas Malafaia comparou homossexualidade a distúrbios como necrofilia e zoofilia. Por mais que eu repudie todos eles, prefiro suas manifestações públicas à máscara da hipocrisia.
Vivemos em um Brasil de tapetes e armários. Todo preconceito é velado e os gays das famílias de militares, machões e evangélicos são constrangidos a reprimir sua condição ou “converter-se” à heterossexualidade. Essa hipocrisia tem que acabar. A lei não deve ser voltada a punir ideias, porque isso não fará com que elas deixem de existir, só as varrerá para debaixo de um enorme tapate. Temos visto espancamentos de homossexuais por grupos de jovens, inclusive menores de idade. Onde esses jovens estão aprendendo isso? Por que estão se organizando em grupos neonazistas? Será que o preconceito não está sendo fomentado nas famílias e escolas de forma quase indetectável?
Está sim. Em muitas escolas particulares que ensinam os filhos da classe média e alta (eu disse muitas, não todas), existem uns 30 alunos brancos para cada negro. Os brancos são ensinados a não proferir injúrias contra os poucos colegas negros, mas não são ensinados, tanto pelos pais quanto pela própria escola, sobre igualdade de fato. Excluir e constranger os colegas tudo bem, desde que não seja chamando-os de macacos e afins, porque é contra a lei. Acaba acontecendo que alguns negros se sentem inadequados a ponto de sair dessas escolas e o preconceito marca mais um ponto sem que ninguém tenha praticado deliberadamente nenhum ato racista.
Vou relatar um caso emblemático de como é a mecânica do preconceito hipócrita no Brasil: Uma moça que conheço, que é bonita, educada e negra, arrumou um emprego como vendedora em uma loja de roupas de grife no centro da cidade. Ponto para a loja, que não foi preconceituosa ao fazer a contratação. Ela começou a trabalhar animada com as comissões que viria a receber, já que o shopping é frequentado por pessoas distintas de boa condição social. Mas a animação durou pouco, pois, com o passar dos dias, ela foi percebendo que era ignorada pelas clientes. Sem nenhum motivo, as elegantes frequentadoras da loja de roupas caras preferiam ser atendidas por suas colegas brancas, sempre com um pretexto na ponta da língua: “já sou cliente da loirinha”, “ela veio me atender primeiro”, enfim, nenhuma jamais disse que não queria ser atendida por ela pelo fato dela ser negra, mas o racismo estava estampado na testa de cada uma daquelas clientes. É assim que funciona o Brasil politicamente correto: As pessoas não falam, fazem.
Temos que defender o direito à liberdade de expressão desses infelizes. Pela preservação da nossa Constituição e dos nossos próprio direitos, mas também porque é ótimo que eles falem, pois só a partir dessas declarações públicas é que podemos combater o preconceito com informação. É muito melhor que digam o que pensam para a sociedade do que para seus filhos, seus amigos, seus eleitores ou seus fiéis. Eles dizem que negros e nordestinos são inferiores? Mostremos o papel da população negra e nordestina no crescimento do Brasil. Eles dizem que homossexualismo é desvio de conduta? Mostremos dados científicos que provam que é uma característica biológica, uma condição. Se os ignorantes forem amordaçados pela lei, não deixarão de ter suas opiniões, mas as expressarão somente entre seus simpatizantes, o que é muito perigoso, pois esses seguidores serão ensinados a não falar, mas AGIR contra os grupos pelos quais nutrem ódio. A prova de como essas declarações ridículas acabam tendo um resultado positivo é o debate que se estabeleceu em torno de homofobia e racismo semana passada.
Valeu, Bolsonaro! Se não fosse você, não teríamos esta excelente oportunidade de abrir algumas mentes.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

O líder que pensa

Se liderança já é um tema difícil de escrever, imagine exercê-la. O trabalho de um líder é semelhante ao de um pai, que deseja que seu filho estude, se desenvolva, aprenda a vencer obstáculos, que se mantenha motivado e cheio de energia. E, assim como o comportamento do filho sofre constantes mudanças, a do liderado, ou da equipe, também. Poderíamos falar horas e horas sobre liderança, porém, neste artigo, vou tratar de um aspecto objetivo e simples da liderança: as atitudes do líder. O título do artigo tem um motivo especial. Muitos líderes pensam que há duas partes bem definidas na organização: o líder e os liderados. Engano puro. Um está constantemente influenciando o outro por meio de gestos e ideias. Podemos dizer que os dois se misturam, querendo ou não. Já ouviu dizer que a empresa tem a cara do chefe? Motivo este que a probabilidade de um filho se tornar fumante quando o pai é, torna-se muito maior do que se o pai não for adepto do tabaco - mesmo quando o filho é adotivo, deixando de lado os aspectos genéticos. O 'líder que pensa' é aquele que não age apenas por instinto. Todo o tempo ele envia estímulos para a equipe. É aquele que sabe que a prática do exemplo é muito mais eficaz que a teoria. Não faz nenhum sentido pedir que a equipe chegue às 9h, se o líder chega às 10h30. O psicólogo americano Frederick Herzberg fez uma pesquisa para descobrir o que motiva e o que desmotiva uma pessoa. Neste estudo, que resultou em sua teoria motivação-higiene, o termo "reconhecimento" ficou em segundo lugar nos fatores que levam à extrema satisfação. Infelizmente o que mais vemos nas organizações são líderes que só param o que estão fazendo para punir um membro da equipe, e só se lembram de reconhecê-los na reunião de metas do fim do mês. O 'líder que pensa' premia e elogia a equipe sempre que se fazem merecedores. No começo, no meio ou no fim do dia. Quantas vezes forem necessárias. Quando reforçamos um bom comportamento, aumentamos a probabilidade do mesmo ocorrer. Lembre-se: o que é dito é facilmente esquecido. O que é feito é aprendido. O 'líder que pensa' age de forma consciente, produz estímulos deliberados e se preocupa muito mais com o bem-estar e a satisfação da equipe, do que com a punição. Um 'líder que pensa' ganha autoridade por mérito e não por imposição e, assim, é tratado como todo pai gostaria: com admiração e respeito

Tecnologia Educacional Humana

Muito se ouve a respeito das tecnologias educacionais. No entanto, a maior tecnologia educacional já existe há muitos anos: o ser humano. Com isso afirmo que as tecnologias educacionais são subservientes aos interesses de cada um. Cabe ao educador, pessoa interessada e habilitada no ensino do próximo, capacitar-se. Eis o grande "bug" do milênio. O Século XXI chegou para alguns poucos docentes. Então paramos para refletir: em que reside o problema, afinal? "O sistema não funciona! Nunca funciona! É complexo demais". As reclamações não param por aí. E continuamos a ‘empurrar com a barriga', esperando que as tecnologias educacionais, sem o nosso domínio ou consenso, se convertam em tradutores de pensamentos com ação própria para a execução das atividades educacionais afins. A práxis do educador já não é mais a mesma, aliás, nunca foi. O processo evolutivo humano, capacidade própria de aprender e de se desenvolver de cada indivíduo, é um processo interno, tal qual a motivação para ensinar. Transpõe o mundo pessoal do professor antes de chegar até o real dos que assim se predispõem a aprender. Tecnologia Educacional Humana é uma competência imprescindível para o educador que não tem mais a tutela do ensino. O conhecimento é universal. Está em todos os lugares e possui muitas direções. É chegado o momento de entendermos o verdadeiro sentido da tecnologia educacional. Ela é subserviente aos interesses humanos. Suas afinidades com esses interesses são incessantes e tornam-se, a cada dia, o maior apoiador do processo de ensino e aprendizagem. Trata-se de um aperfeiçoamento contínuo, que evolui ao passo que nosso conhecimento nas tecnologias também evolui. Alguns termos como usabilidade, navegabilidade, convergência, qualidade, entre outros, fazem parte desse processo. Não são somente as funcionalidades das tecnologias que as tornam usáveis. Essa evolução é assustadora. Sim, também fico espantado com o enorme avanço das tecnologias. Mas, por favor, não se deixe enganar pelas propagandas subliminares da "última tecnologia", tal qual o esteticismo ou a videotice e suas finalidades comerciais nada implícitas. Não é a escolha da melhor tecnologia, se física ou lógica, que irá nos deixar confiante quanto ao seu uso. A maior opção é a nossa escolha. É dela que se depende. Pode-se interagir com ela, e de todas as formas possíveis, estaremos interagindo com nós mesmos. Já ouviram falar do processo de aprendizagem homem-máquina? Pois bem, explico. Enquanto para uns isso é quase uma robotização ou mesmo nossa submissão à máquina e seu sistema, para outros, e na grande maioria, é um processo de autorreflexão. Experimente sentar em frente ao computador e realizar uma pesquisa na internet ou mesmo em um curso online. O processo de interiorização é muito grande, principalmente quando se interage nas comunidades virtuais de aprendizagem, pois ora se é professor, ora se é aluno, o que leva a uma ação contínua de ensino e de aprendizagem. Isso parece reflexivo? Tome como referência educacional aquela de uns 5 ou 10 anos atrás. As pessoas buscavam no professor o conhecimento que precisavam. Os educadores tinham a grande responsabilidade de ensinar para o bem-comum, servindo a todos os gostos e aptidões. O professor era o único centro do processo educacional. E, deixamos de ser a referência? Não, aquela velha busca ainda existe. No entanto, a humanidade em seu todo, enfrenta a maior mudança de paradigmas de todos os tempos. Nossos pais, avós, bisavós, tataravôs - até os dinossauros - sem nenhuma analogia, deixaram-nos de herança essa referência educacional - imprevisíveis quanto às novas metodologias e tecnologias educacionais hoje existentes. Podemos sair em alto mar e passearmos pelos quatro cantos do mundo. A globalização é um convite aberto em cada porto, e a informação sopra para todos os lados tal qual o vento. Dizer que o barco deve ficar ancorado, parado no tempo, é retrógrado. Somos inseridos em novo processo educativo mediado pelas tecnologias. Navegamos em um mar de informações, muitas das quais sem precedentes, e corremos o sério risco de virarmos náufragos. É nesse exato momento que surgem as tecnologias educacionais humanas e seu comandante maior: o professor. Tecnologia Educacional Humana não se trata da melhor escolha tecnológica e sim do interesse do profissional-educador em desenvolver-se, assim como sua práxis educativa, exercendo a função de facilitador no processo de ensino e de aprendizagem. Qualquer que seja a tecnologia encontrará sempre o potencial que existe dentro de si mesmo, pois disso dependem muitos outros aspirantes ao conhecimento.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Metade

Que a força do medo que tenho não me impeça de ver o que anseio. Que a morte de tudo que acredito não me tape os ouvidos e a boca. Porque metade de mim é o que eu grito, mas outra metade é silencio… Que a música que ouço ao longe seja linda, ainda que triste. Que a mulher que eu amo seja sempre amada, mesmo que distante. Porque metade de mim é partida e a outra metade é saudade. Que as palavras que eu falo não sejam ouvidas como prece nem repetidas com fervor, Apenas respeitadas como única coisa que resta a um homem inundado de sentimento. Porque metade de mim é o que ouço, mas outra metade é o que calo. Que essa minha vontade de ir embora se transforme na calma e na paz que mereço. Que essa tensão que me ocorre por dentro seja um dia recompensada. Porque metade de mim é o que eu penso e a outra metade é um vulcão. Que o medo da solidão se afaste, que o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável. Que o espelho reflita em meu rosto o doce sorriso que eu lembro de ter dado na infância. Porque metade de mim é a lembrança do que fui, a outra metade eu não sei. Que não seja preciso mais do que uma simples alegria para me fazer aquietar o espírito. E que o teu silencio me fale cada vez mais. Porque metade de mim é abrigo, mas a outra metade é cansaço. Que a arte nos aponte uma resposta, mesmo que ela não saiba, E que ninguém tente complicar, porque é preciso simplicidade para fazê-la florescer. Porque metade de mim é a plateia e a outra metade a canção. E que a minha loucura seja perdoada. Porque metade de mim é amor e a outra metade… Também.

quarta-feira, 30 de março de 2011

13º Salário NÃO EXISTE!

Os trabalhadores ingleses recebem os ordenados semanalmente!
Mas há sempre uma razão para as coisas e os trabalhadores ingleses, membros de uma sociedade mais amadurecida e crítica do que a nossa, não fazem nada por acaso!
Bem, cá está um exemplo aritmético simples, que não exige altos conhecimentos de Matemática, mas talvez necessite de conhecimentos médios de desmontagem de retórica enganosa.
Lembrando que o 13º no Brasil foi uma inovação de Getúlio Vargas, o “pai dos pobres” e que nenhum governo depois do dele mexeu nisso, nem mesmo o “governo dos trabalhadores”.
Comenta-se agora a extinção do 13º Salário. Se tal pretensão prosperar, será um roubo sobre outro roubo.
Perguntarão porquê?
Respondo: Porque o 13º salário não existe.
O 13º salário é uma das mais escandalosas de todas as mentiras dos donos do poder, quer se intitulem “capitalistas” ou “socialistas”, e é justamente aquela que os trabalhadores mais acreditam.
Eis aqui uma modesta demonstração aritmética de como foi fácil enganar os trabalhadores.
Suponhamos que você ganhe R$ 700,00 por mês.
Multiplicando-se esse salário por 12 meses, você recebe um total de R$ 8.400,00 por um ano de doze meses.
R$ 700 X 12 = R$ 8.400,00
Em Dezembro, a generosa lei manda então pagar-lhe o conhecido 13º salário.
R$ 8.400,00 + 13º salário = R$ 9.100,00 R$ 8.400,00 (Salário anual) + R$ 700,00 (13º salário) = R$ 9.100 (Salário anual mais o 13º salário)
O trabalhador vai para casa todo feliz com a lei que mandou o patrão pagar o 13.
Agora veja bem o que acontece quando o trabalhador se predispõe a fazer uma simples conta que aprendeu no Ensino Fundamental: se o trabalhador recebe R$ 700,00 mês e o mês tem quatro semanas, significa que ganha por semana R$ 175,00.
R$ 700,00 (Salário mensal) / 4 (semanas do mês) = R$ 175,00 (Salário semanal). O ano tem 52 semanas.
Se multiplicarmos R$ 175,00 (Salário semanal) por 52 (número de semanas anuais) o resultado será R$ 9.100,00. R$ 175,00 (Salário semanal) X 52 (número de semanas anuais) = R$ 9.100.00
O resultado acima é o mesmo valor do Salário anual mais o 13º salário.
Surpresa. Surpresa?
Onde está, portanto, o 13º Salário?
A explicação é simples.
A resposta se obtém pela simples razão de que há meses com 30 dias, outros com 31 e também meses com quatro ou cinco semanas (ainda assim, apesar de cinco semanas a lei só manda o patrão pagar quatro semanas) o salário é o mesmo tenha o mês 30 ou 31 dias, quatro ou cinco semanas.
No final do ano a lei presenteia o trabalhador com um 13º salário, cujo dinheiro saiu do próprio bolso do trabalhador.
Se o governo retirar o 13º salário dos trabalhadores da função pública, o roubo é duplo (sem falar que não se cogita em alteração na lei que paga o 14º salário para políticos e empresários de alto escalão, esse sim um verdadeiro adicional...).
Daí que, como palavra final para os trabalhadores inteligentes: não existe nenhum 13º salário.
A lei apenas devolve e manda o patrão devolver o que sorrateiramente foi tirado do salário anual.
Conclusão: Os trabalhadores recebem o que já trabalharam e não um adicional.
13º NÃO É PRÊMIO, NEM GENTILEZA, NEM CONCESSÃO. É SIMPLES PAGAMENTO PELO TEMPO TRABALHADO NO ANO!

domingo, 20 de março de 2011

Mudar de opinião, não de valores

Mudar de opinião assusta muita gente. O medo de ser interpretado como fraco faz com que muitos permaneçam seguindo por caminhos que já se provaram ineficientes. Muitos de nós insistimos em interpretações que, no íntimo, sabemos que não nos convencem mais, apesar de todos os impactos acumulados na nossa experiência pessoal. Um recente comercial da televisão mostra, em 30 segundos de bom humor, que ninguém morre ou deixa o “eu” de lado quando muda de opinião. No filme, dois amigos caminham conversando e, conforme avançam, mudam de ideia. Coisas simples em uma fase da vida, como achar ridículo andar de patins, vão da rejeição à importância em uma fração de segundos. Conforme o filme corre, as opiniões tornam-se mais complexas. A decisão de “Casar? Nem pensar!”, discutida pelos dois amigos, cede a vez para a próxima fase, onde um deles sai de cena e abre espaço para a noiva do que fica. O filme encerra com um questionamento não de opinião, mas de valores: ao prometer compromisso para a mulher, ele corre o risco de se contradizer na etapa seguinte da vida. Se podemos considerar a nossa vida como uma viagem, sujeita a mudar de rumo a qualquer instante, o que carregamos na nossa mochila são os nossos valores. Eles podem até embasar nossas opiniões, porém sua consistência deve ser mais densa, feita em metal mais nobre. Se os nossos caminhos variam, conforme nosso amadurecimento e experiência de vida, os nossos valores, em especial os que nossos pais cultivaram em nós, nos conferem a segurança para seguir em frente. Ética, respeito à diversidade, relevância, responsabilidade, autenticidade são fatores que não devem ser flex, como num dia preferir salada e, no outro, macarrão. Quando falamos de valores, obviamente falamos dos positivos. Cultivar zeros à esquerda não promove diferença. Perdoar, por exemplo, é uma mudança de opinião que, em nenhum momento, denota perda de valor. Certa vez, um grande personagem público da recente história brasileira, já morto, foi questionado sobre a mudança de opinião frente a determinado assunto. A resposta mostrou o porquê dessa pessoa ter se tornado referência para muitos: “não temo mudar de opinião porque não temo evoluir". A vida vem em ondas, como sugere a música. Em cada uma delas, ser fiel aos seus valores, mas estar aberto a novas opiniões, é uma questão de inteligência.

A importância da tomada de decisão

O ato de tomada de decisão pode ser para muitas pessoas, um ato de sofrimento. Algumas pessoas possuem dificuldades nas decisões mais simples, como escolher um prato num restaurante ou um programa social. Quando trazemos esta dificuldade de poder de decisão para o universo empresarial, ele se torna muito mais grave, pois pode-se perder uma grande negociação apenas pelo titubear de decisão numa reunião. E tão grave quanto a indecisão é a procrastinação, que tem levado muitas pessoas a erros difíceis de reparação. Um exemplo disto é aquele empresário que precisa tomar uma decisão de investimento em inovação de produtos, ou numa negociação com fornecedores e acaba perdendo uma excelente oportunidade de ganho ou lucro porque no momento de tomada de decisão ele opta pela indecisão. E o mercado não perdoa quem não toma as decisões nas horas certas. São inúmeras as implicações de uma tomada de decisão, e a maior parte das conseqüências está normalmente fora do nosso alcance visual. Por isso é preciso ser cuidadoso, considerar não só o negócio mas as pessoas, a sociedade e o planeta. Principalmente, é preciso agir em coletividade; a complexidade dos inúmeros contextos criados pelo cotidiano de um negócio requer competências multidisciplinares para ser propriamente equacionada. Visto no geral, um processo decisório pressupõe opções, escolhas nem sempre muito fáceis de fazer. Há perdas e há ganhos, há o curto e o médio prazos, há conflitos de valores, e isso tudo é extremamente mobilizador. Por isso é importante tentar, de alguma forma, sistematizar um contexto, criar um cenário pelo menos próximo da realidade onde as possibilidades da decisão possam ser examinadas sob todos os ângulos. É mais fácil fugir da decisão do que enfrentá-la, e muitas vezes fazemos isso por métodos subliminares. Evitamos a decisão apoiando-nos em ideologias e referenciais rígidos não passíveis de questionamento ou por meio de processos que nos auto-iludem, como a alienação, o perfeccionismo, a idealização excessiva, a auto-depreciação, a preocupação em manter uma pretensa imagem de si ou o assim chamado "complexo de anjo", pelo qual nos julgamos sempre os melhores. Esses processos podem ser considerados como sendo "bloqueadores das decisões". Muitas pessoas apresentam grande dificuldade para tomar decisões. Outras não conseguem fazê-lo de modo algum. Uma vez consumada, a decisão é uma estrada sem volta. As conseqüências virão, cedo ou tarde, positivas ou negativas. Por isso a decisão exige um compromisso efetivo com a escolha feita e suas conseqüências. Isso nem sempre é fácil, por três motivos: - Não existe decisão perfeita, porque não podemos analisar todas as alternativas e todas as conseqüências; - Ao optar por uma alternativa, temos de renunciar às outras, e isso gera sempre um sentimento de perda, mesmo quando a decisão é eficaz; - Toda decisão é um ato absolutamente individual e intransferível. Não se pode decidir pelos outros nem culpar os outros pelas nossas más ações. A capacidade de tomar decisões firmes, claras e no tempo certo é uma importante característica de liderança. O tipo de decisão, porém, varia conforme as circunstâncias. Por isso, é preciso sempre fazer uma análise da situação e de possíveis implicações, com o máximo de elementos possíveis, para que, ao menos, possamos tomar uma decisão com embasamento de conhecimento. Cada decisão implica um efeito, para o bem ou para o mal. Tente reduzir os riscos futuros: liste os efeitos possíveis de cada ação, avaliando as probabilidades de sua ocorrência e o dano que possa causar. Avalie também as conseqüências no tempo - imediatamente, em curto e longo prazos. Na medida do possível, privilegie os resultados a longo prazo ao invés de valorizar apenas os efeitos mais imediatos. Observe os fatores externos que podem influir em sua decisão e tente medir a probabilidade (e as razões) de um eventual fracasso. Ao esquematizar esses itens você estará se antecipando aos futuros problemas. Essa medida reduzirá os elementos causadores do insucesso, aumentando as chances de êxito. Acredite, tomar decisões é um comportamento que pode ser aprendido com o tempo, como qualquer outro comportamento ou atitude. Então, comece a praticar.